ESPERTOS? PROBLEMAS FINANCEIROS DOS CLUBES NÃO SÃO DE AGORA

O presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, representa à perfeição a classe dirigente dos clubes do futebol brasileiro. Ele é o rosto, o cérebro e os membros do tipo de executivo que toma decisões em nome de instituições centenárias onde está de passagem, personificando a falta de capacidade, vergonha e escrúpulos.
Esse gênero de dirigente é responsável pelo estado de penúria dos nossos clubes, por ações e omissões que caracterizam gestões prejudiciais do ponto de vista interno e também no aspecto do comportamento coletivo que os clubes deveriam assumir em prol da valorização e da governança do produto que possuem.
No Botafogo, Assumpção tomou medidas que não protegem os melhores interesses da coletividade, vendeu uma falsa ideia de saúde financeira, tentou se associar a parceiros dos quais deveria manter distância. Junto com seus pares nos grandes do Rio, em 2011, sabotou o que poderia ser um avanço na comercialização dos direitos de televisão do Campeonato Brasileiro utilizando um discurso individualista. Hoje, com as receitas bloqueadas, Assumpção tenta sequestrar o governo federal com a ameaça de retirar o Botafogo do Campeonato Brasileiro por não conseguir honrar compromissos. Que esperto.
O debate sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte é um momento crucial para o futebol no país. O governo terá obrigatoriamente de escolher um lado no cabo de guerra que opõe jogadores e dirigentes. Se a presidente Dilma Rousseff aprovar o projeto de lei como é hoje, perdoará os cartolas ao lhes oferecer um salvo-conduto para continuar agindo da mesma maneira. Cartolas como Maurício Assumpção, que não coram diante da desfaçatez que sugerem.
Neste aspecto, é alarmante o comportamento do secretário de futebol do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento, que pareceu à vontade para fazer o jogo da cartolagem ao dizer, na última sexta-feira, que o governo “tem pressa. Esperamos aprovar a lei até setembro porque tem clubes que não chegam até fim do ano se a lei não sair”. É o tipo de demagogia que se espera ouvir de alguém como Assumpção, não de um jornalista experiente que deveria saber com o que, e com quem, está lidando.
Os cartolas querem que o governo – e você – acredite que os clubes precisam ser salvos do inferno. No processo, dívidas que são fruto da mais pura irresponsabilidade serão refinanciadas. A julgar pela declaração de Nascimento, o secretário já foi convencido.
O governo não deve ter pressa alguma. A presidente Dilma Rousseff também recebeu os representantes do Bom Senso Futebol Clube e ouviu deles que não aprove o projeto de lei sem a devida discussão. Os avanços no futebol brasileiro estarão em perigo se a cartolagem for agraciada com mais um socorro da União, disfarçado de resgate dos clubes. É preciso ser muito ignorante, ou muito mal intencionado, para acreditar nesse embuste.
Quanto a Maurício Assumpção, que ele honre o que diz e tire o Botafogo do Campeonato Brasileiro. Vejamos se a ameaça passa de fanfarronice de quem perdeu qualquer constrangimento.
NOTA DO BLOG: Por iniciativa do secretário de futebol do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento, ele quis esclarecer que sua declaração sobre “a pressa” em aprovar o projeto se deu pelo fato de o ministério estar trabalhando nisso há um ano e meio. Nascimento concorda que a questão deve ser discutida com a sociedade, e aguardava, ontem à tarde, uma correspondência do Bom Senso Futebol Clube com sugestões. O secretário não vê com bons olhos o “radicalismo” (termo usado pelo próprio) que tem caracterizado a discussão, opondo dirigentes e jogadores. Nascimento entende que é possível chegar a um texto que contemple as principais – não todas – necessidades de todos, incluindo CBF e governo. A reforma que o futebol brasileiro urgentemente necessita depende de um gesto firme do governo quanto ao modo como nossos clubes são administrados.
OPORTUNIDADE => 
Repetindo o que escrevemos aqui: os clubes devem mais de 5 bilhões de reais à União, que pode se considerar proprietária de todos eles. Não há nenhuma razão para que o governo se impressione com o discurso hipócrita dos cartolas. Ao contrário, é preciso falar alto com quem sonega e aproveitar a oportunidade para transformar o futebol brasileiro. O ministro do esporte, Aldo Rebelo, tem falhado gloriosamente nesta tarefa.

FELIZ DIA DOS PAIS

(Fabio Jr)

Pai, pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo pra gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos, pai e filho talvez 

Pai, pode ser que daí você sinta, qualquer coisa entre esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz....

Pai, pode crer, eu tô bem eu vou indo, tô tentando vivendo e pedindo
Com loucura pra você renascer...

Pai, eu não faço questão de ser tudo, só não quero e não vou ficar mudo 
Pra falar de amor pra você 

Pai, senta aqui que o jantar tá na mesa, fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensina esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver

Pai, me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança
Que um dia morrendo de medo, nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu 

Pai, eu cresci e não houve outro jeito, quero só recostar no teu peito
Pra pedir pra você ir lá em casa e brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar

Pai, você foi meu herói meu bandido, hoje é mais muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho, você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz

O NOVO DUNGA



Os últimos dias serviram para que conhecêssemos um novo Dunga. Novo no sentido de ser diferente do que pensávamos conhecer. Por intermédio de reportagens do Espn.com.br e da Folha de S.Paulo, fomos apresentados a um Dunga ativo nos negócios do futebol, que lucra com transferências de jogadores, que movimenta cifras no exterior, que se utiliza de empresas off-shore, que é cobrado pela Receita Federal brasileira.

Mas o próprio Dunga nega a existência desse intermediário revelado pelas histórias publicadas com fartura de detalhes e documentos. O recém-empossado técnico da Seleção Brasileira desmente seu papel como agente em um dos casos e, no outro, considera-se perseguido (um padrão de comportamento?) pela Receita. Em ambos, tornou-se público um traço da personalidade do treinador: a generosidade.
De acordo com a Folha, há indícios de que Dunga não pagou impostos sobre uma quantia movimentada fora do Brasil em 2002. A Receita Federal suspeita que operações financeiras fantasmas foram utilizadas para justificar um depósito de 270 mil dólares, não declarado, feito pelo Jubilo Iwata em uma conta de Dunga. O técnico alega que se trata do pagamento, em espécie, de um empréstimo concedido por ele ao clube japonês.
Na reportagem do site da ESPN também consta um empréstimo feito pelo atual técnico da Seleção. A história desnuda a participação de Dunga na transferência de 75% dos direitos econômicos do meia Ederson, do RS Futebol Clube para a empresa Image Promotion Company (IPC), em 2004. Documentos atestam uma comissão de pouco mais de 400 mil reais. Dois anos mais tarde, o IPC adquiriu os 25% restantes em uma operação de 575 mil dólares na qual Dunga aparece como autor do crédito para os representantes do RS Futebol Clube. Segundo Dunga, a quantia foi emprestada por ele ao IPC.
Desde que tudo seja feito em concordância com as leis, não há nada de errado na atuação de Dunga como intermediário em negociações de jogadores (ou como socorro financeiro a clubes de futebol e empresas que representam atletas) durante o período anterior a seu primeiro trabalho como técnico da Seleção Brasileira, quando estreou na profissão. Mas Dunga sempre declarou manter-se afastado dos tentadores negócios do futebol, aparentemente para sustentar uma postura ética que, agora, está em xeque.
Porque além de agir em desacordo com o que disse, Dunga tenta discutir com os documentos que comprovam seu envolvimento na transferência dos direitos de Ederson, uma atitude intrigante diante da clareza das evidências. Por que a relutância em admitir algo que se deu quando ele ainda não era técnico?
O pós-Copa da CBF continua a nos surpreender, como essas produções de baixo orçamento que se superam em bizarrices a cada cena. Podemos ter um ex-agente como técnico da Seleção, chefiado por um ex-agente como coordenador, chefiado por figuras que explicam tudo. E a sensação é de que estamos no começo do filme.


ATUALIZAÇÃO – Dunga publicou um esclarecimento em seu site. O advogado do técnico da Seleção Brasileira diz que ele nunca trabalhou como “agente, procurador ou empresário de jogador de futebol”. Mas admite que Dunga participou do negócio envolvendo o meia. De acordo com a explicação, Dunga apenas aproximou as partes que fizeram a negociação, e por isso recebeu a comissão.

O ÚLTIMO DOS ACAJUS


Parecia um jantar do elenco do seriado Chapolin, com muita tinta acaju, pulseiras de prata, calças de tergal e sobrancelhas feitas com um risco em forma de meia-lua. Estava lá o octogenário Julio Grondona, jefe da Associação de Futebol Argentino. Ele é acusado de ter ganho 78 milhões de dólares para votar no Catar para sede da Copa de 2022.
Também apareceu Nicolás Leoz, um paraguaio de 82 anos que preside a Confederação Sul-Americana de Futebol, a Conmebol. Além de ter recebido suborno da ISL, diz-se que ele teria pedido um título de nobreza (…), em troca de seu voto pela Inglaterra. ‘Don Leoz, donde está su corona?’, gritou-lhe Teixeira, trazendo à baila o almejado título de sir. Leoz fez um bico de muxoxo e levantou os braços sobre a cabeça, fingindo estar sendo coroado, e todos gargalharam. ‘Se nos derem as Malvinas, eu voto em qualquer coisa!’, gritou Grondona, que usa um anel de ouro no mindinho com a expressão ‘todo pasa’”.
As linhas acima talvez sejam as mais significativas do icônico perfil assinado pela jornalista Daniela Pinheiro, para a revista Piauí, em julho de 2011. O artigo, entitulado “O Presidente”, expôs o ambiente de cartolas sul-americanos na FIFA, após acompanhar Ricardo Teixeira e seus pares durante dias de reuniões em Zurique.
Teixeira, 67, está exilado em Boca Raton ou no Rio de Janeiro após reinar por vinte e três anos na CBF. Leoz, 85, sentou-se no trono da CONMEBOL por vinte e sete anos. Em abril do ano passado, renunciou ao cargo alegando problemas de saúde e tomou o caminho para lugar nenhum. Ambos fugiram do Comitê Executivo da FIFA por causa do escândalo da ISL.
Grondona, 82, sustentou-se como monarca do futebol argentino por trinta e cinco anos. Confidente de Joseph Blatter, ostentava uma camada de teflon como vice-presidente senior da FIFA até a manhã de ontem, quando um aneurisma na aorta o matou. O último dos acajus se foi.
LEGADO => 
Escreveu Daniela Pinheiro, na Piauí: “No salão de chá do Baur au Lac, o argentino Julio Grondona estava esparramado numa poltrona, com o rosto afogueado. ‘Ah, fui ver os vitrais do Chagall, comi um risoto maravilhoso, bebi uma garrafa de Chianti e brindei à eleição da Fifa’, disse, caindo na gargalhada”. Como está grafado no anel que Don Julio usava, tudo passa.
FEUDAIS => 
O futebol não sentirá a falta de Grondona, como não sente a de Teixeira ou Leoz. Epítomes do anacronismo que tratavam o jogo como bem particular. As cadeiras que deixaram após décadas foram ocupadas por súditos que compartilham das mesmas práticas, servindo-se ao invés de servir. Don Julio, um abnegado, trabalhou até o último dia de sua vida.

A HORA DO AVANÇO

As cadeiras quebradas na Arena Corinthians protagonizam a tragicomédia da semana no futebol brasileiro. Os humoristas do STJD denunciaram o dono do estádio e o Palmeiras pelos atos de vandalismo que geraram uma conta de R$ 45 mil para Paulo Nobre pagar, conforme acordo entre os clubes. O que significa que quando o Corinthians for ao Allianz Parque, as gentilezas serão retribuídas com imbecilidade e transferência interbancária semelhantes.
Enquanto dirigentes trocam cadeiras quebradas e o tribunal revisita o ridículo que o caracteriza, pouco se pensa em atacar o problema que é um, apenas um, dos aspectos do dilema que se apresenta ao futebol no país. O setor destinado à torcida visitante é tratado – pelo mandante – como uma latrina coletiva, quando deveria ser o contrário. Falta criatividade para procurar soluções ousadas como, por exemplo, decorar a área com as cores do adversário. Ou, algo ainda mais corajoso, estampar fotos dos ídolos do rival nas cadeiras. Um palmeirense seria capaz de dar um chute no rosto de São Marcos?
Não ria, pois iniciativas parecidas já foram testadas na Europa, com sucesso. Em certos estádios ingleses, onde é permitido vender bebidas alcoólicas, o torcedor visitante é recebido com a cerveja que bebe em sua cidade e acomodado em um setor em que o distintivo de seu clube está em todos os lados. O nível de violência cai. Em qualquer lugar, o comportamento de animal raivoso (para o qual só tiro de tranquilizante e jaula são remédios) esconde um idiota imaturo que, talvez, possa ser contido com boas ideias e um ambiente em que se sinta respeitado e constrangido. Mas para chegarmos a isso é necessário superar tolices ligadas à rivalidade. É preciso crescer.
Aumentar a ocupação dos estádios brasileiros deveria ser a prioridade número um de todos os envolvidos. Uma prioridade que já existia antes da Copa do Mundo, mas que agora é mais urgente porque temos quatorze (os doze do Mundial, mais Grêmio e, em breve, Palmeiras) casas top de linha à disposição. Uma verdadeira revolução em termos estruturais. A obrigação de utilizar o máximo desse potencial é estratégica, pois ele pode representar a diferença de orçamento que permitirá que os clubes, um dia, tomem as rédeas do futebol no Brasil.
Mas essa não é uma missão exclusiva dos clubes, que, frise-se, estão na Idade da Pedra neste campo. Os gestores das arenas e o poder público também têm papel fundamental na experiência que precisa ser oferecida a quem vai a esses estádios, independentemente da política de preços de ingressos e da visão de cada um do que é ir a um jogo de futebol. Os novos estádios são como são porque proporcionam mais, portanto precisam entregar mais a quem está interessado. É um equívoco confundir esse conceito com elitização. Trata-se de inclusão, não o contrário.
Escrevemos neste espaço, antes da Copa, que um momento decisivo chegaria quando os estádios fossem entregues ao uso doméstico. Ou adaptaríamos nossa maneira de ver futebol a eles, ou eles seriam adaptados à nossa maneira de ver futebol. Permitir o segundo cenário é jogar no lixo uma oportunidade que não aparecerá de novo.
CONVITE => 
Acostumamo-nos a entender a experiência de ir ao futebol como algo restrito ao estádio. Está errado. Ir e vir também são problemas do clube/gestor porque as preocupações de acesso e saída contaminam o programa. Ninguém vai ao cinema preocupado, ou chega irritado. Além do conteúdo oferecido, é preciso dar ao torcedor motivos para ir ao estádio. E para querer voltar.
UM DIA? => 
Exemplo distante: os administradores de um estádio holandês distribuem panfletos para os restaurantes e redes de fast-food que têm unidades nas diferentes rotas para o local. Informam os horários de abertura e fechamento dos portões em dias de jogos, quantas pessoas são esperadas, etc, para que os estabelecimentos se preparem para atender o público. O que os gestores do estádio ganham com isso? A certeza de que, quando chegarem para ver o jogo, as pessoas estarão tranquilas.

REQUENTADO


Dunga voltou. O verbo deve ser lido em seu sentido literal, para o técnico e o que sua presença significa para a Seleção Brasileira. Um retorno ao passado que deveria ter permanecido onde estava. Uma involução, se é que isso era possível para um time que, há duas semanas, passou a maior vergonha de sua história.

A entrevista coletiva de anteontem apresentou o mesmo Dunga que deixou a CBF há quatro anos. Os mesmos conceitos mal formados, a mesma coerência equivocada, os mesmos argumentos confusos e a mesma visão turva do que a Seleção Brasileira deve ser. Sobre certos temas, como a Copa do Mundo que terminou há pouco, o técnico revelou um nível de desinformação assustador.
O problema de Dunga é o que o move: a ira que se apoderou dele em 1990, que se mostrou mais forte do que nunca com a Copa em suas mãos em 1994, que impede que ele compreenda por que o time de 1982 é lembrado com mais saudade do que o que foi campeão nos Estados Unidos. Que faz com que toda pergunta seja ouvida como provocação e toda crítica, interpretada como perseguição.
Mas há problemas mais graves. Em pleno pós 1 x 7, a Seleção foi entregue ao técnico que declarou que a nostalgia do futebol atraente era um complô idealizado pelos europeus, para que o Brasil continuasse perdendo. Imagine a duração das gargalhadas de espanhóis e alemães ao ouvirem tal preciosidade.
O futebol ordinário exibido pelo Brasil de Scolari no Mundial em casa só tem um atenuante: o pouco tempo de trabalho, cerca de um ano e meio. Times que jogam demandam longa maturação, como tudo o que é bom em qualquer área. Times que só sabem lutar e correr – o equivalente futebolístico do fast-food – ficam prontos mais rápido.
Com Dunga, apesar do prazo generoso, o máximo que se pode esperar é um macarrão instantâneo. Um clone do time de 2010. Muito menos do que a Seleção Brasileira tem obrigação de ser, mesmo que ganhe a Copa de 2018.
EQUÍVOCOS… => 
É terrível a confusão de conceitos. A Seleção Brasileira não precisa ganhar a qualquer custo ou ser um time que transpire sangue. Esse é o caminho dos que não têm nada mais a oferecer. O que o Brasil tem de fazer é jogar futebol coletivo, com superioridade técnica, criatividade e coragem. Contamos nos dedos os países que podem sonhar este sonho.

… E MAIS EQUÍVOCOS => 
Defensores ardorosos do futebol de resultados ignoram que, em toda as competições, alguém sempre vence. Que se vencer é só o que interessa, nada resta quando o vencedor é outro. E que perder tentando exibir sua melhor versão é triste, mas perder usando um disfarce horroroso para esconder sua verdadeira identidade é muito pior. A maior vergonha está aí.

METAS CUMPRIDAS, NÃO CUMPRIDAS OU INTERROMPIDAS

Olá, galera! Tudo em nossa vida temos que traçar metas para que nossos objetivos saiam do jeito que planejamos. Conseguimos cumprir nossas metas na maioria das vezes. Algumas vezes não cumprimos. Em outras pouquíssimas vezes, interrompemos nossas metas por algum motivo.
Comigo acontece exatamente como acontece com qualquer pessoa. Retornei às atividades do futebol de mesa em 2011, em 2012 encontrei uma família em que já deveria me integrar a ela há tempos, em 2013 eu retornei à Federação e a disputar o Campeonato Estadual (RJ) e em 2014 eu planejei disputar o Estadual até o fim e melhorar minha colocação do ano de 2013...
Mas conflitos de datas e o 'aperto' financeiro fizeram com que eu interrompesse as metas para este ano de 2014, portanto tive que me desfederar e antecipar uma 'pré-temporada' para o ano de 2015.
Tive que abandonar a meta para 2014. Duas eram as metas: a primeira era alcançar o ascenso à Série Ouro e consequentemente alcançaria a segunda meta, terminar antes da vigésima colocação no Ranking FEFUMERJ - 2014.
Então, aproveitarei essa minha paralização forçada em torneios da FEFUMERJ neste restante de temporada para realizar treinamentos e amistosos e até participar de alguns torneios externos. Vamos traçar novas metas para 2015, pois é com trabalho árduo que conquistamos nossas vitórias.

A VONTADE DO WIL

A bola se perde pela linha de fundo. Escanteio.
- André, agora vai ser gol!
Não tem alma viva no estádio que acha que sai alguma coisa boa naquele jogo, com aqueles jogadores, com aquele time. Mas Wil acredita. Torce. E a bola, claro, não entra. O irmão caçula André tem 22 anos a menos. Wil tem idade para ser pai dele. E é. Meio pai, meio irmão. Tudo. Principalmente quando nada dá certo para o Palmeiras. André fica sempre com raiva de Wil.
- Como pode ser tão otimista? Como pode ser tão alegre com essa draga de time?
Wil não se importa com a crítica e a ranhetice do irmão. Ele se importa mesmo com o Palmeiras do pai que morreu com 53 anos, e com quem aprendeu a ser torcedor. Embora poucos torcedores aprendam a torcer tanto e tão bem quanto Wil. O Palestra Italia todo cornetando como bons palmeirenses que se prezam e que se prestam a cornetar. O Wil acreditando em cada jogo, em todo o time.
- Eu puto com o Palmeiras e mais ainda com ele! Como pode ter tanta esperança naqueles times tão ruins? Mesmo nas vacas gordas da Parmalat, nem sempre dava para vencer. Mas ele acreditava em todas.
Como só o Wil parecia acreditar na virada de 4 a 2 sobre o Flamengo, na Copa do Brasil de 1999. Pareciam 11 Wils em campo, e mais de 30 mil na arquibancada.  Wil de Wilson. Mas podia ser de Will. Vontade, em inglês. Goodwill. Boa vontade universal.
O “maior presente” que o irmão caçula André deu a ele foi um ingresso para a final da Libertadores de 1999. Depois de horas na fila para comprá-lo (o que era pouco para quem sofrera 16 anos na fila sem títulos), André pôde dar “o melhor presente que eu ganhei na minha vida”, nas palavras de Wil.
Ao menos até a visita há pouco tempo na Academia do Palmeiras. Wil ainda conseguia andar. Pouco, mas conseguia. Estava perto do campo quando uma bolada de Diogo estourou na grade. O atacante pediu desculpas pelo lance de treino. Wil, como sempre, achou Diogo o máximo. Por ter a mesma humildade e simplicidade desse designer de interiores de 55 anos.
Otimismo que não foi quebrado quando o médico disse há pouco mais de um ano que ele tinha câncer. Um não. Dois. Ele não quis saber. Nunca. Não quer saber da doença. Só pergunta ao médico, desarmando-o como se fosse um Dudu ou César Sampaio:
- E aí, doutor, já achou a minha cura?
Ele nunca soube que está indo. Sempre acredita. Como sempre crê no Palmeiras:
- Agora vai sair gol!
- Vai nada, Wil! O Palmeiras tá uma inhaca! De que jeito vai sair gol?
Ele não sai mais de casa há algumas semanas. Não se levantava até semana passada, quando o irmão André entrou em contato com Evair. O Matador que deu a vida ao Palmeiras em 12 de junho de 1993, logo que soube da história, resolveu conhecer Wil. Foi à casa dele no Cambuci. Wil, que mal conseguia falar, logo levantou para dar um abraço em Evair.
- Deus sabe o que faz. Deu força ao meu irmão.
André mostrou com o irmão a coleção de jornais que ele guarda desde a Academia de Ademir da Guia. Evair até levou um. As páginas contavam proezas da Via Láctea da Parmalat, desde 1992. Quando o Palmeiras foi vice paulista, na primeira vez em que André chorou no estádio a perda de um título, para o São Paulo.
- Não chora, André. Ano que vem a gente vai ser campeão.
Eram 16 anos de jejum. Acabaram no ano seguinte, em 12 de junho de 1993, como Wil havia “previsto”. André ainda chorou com o Gol Porco de Viola, no primeiro jogo da decisão paulista de 1993. Gritou muito “chora, Viola, imita o porco agora”, no final do jogo decisivo,na revanche dos 4 a 0. Mas Wil não queria saber de revanche. Talvez nem mesmo de vitória. Apenas de viver simples. Alegre. Com humor. Com amor. Com Palmeiras.
A final de 1999 foi o “melhor presente da vida” de Wil até a visita ao CT um pouco antes da Copa. Quando Diogo prometeu fazer um gol para ele contra o Grêmio. Ele fez, na Arena. Mas a arbitragem invalidou. Wil lamentou a vitória perdida com a homenagem.
- Bateu na trave – conforta-se André.
Até por que o “melhor presente” que ele recebeu na vida foi a visita em casa de Evair.
Como seria a de São Marcos. Nesta sexta, André me ligou. É jornalista. Havíamos conversado em um evento do PES 2013. Ele queria que eu contatasse o Marcão para fazer uma visitinha ao irmão Wil. O quanto antes:
- Mauro, desculpa te ligar, mas é que acabei de saber que o estado de saúde do meu irmão é terminal. Ele tem pouco tempo de vida.
Liguei pro Juan, assessor do Marcos. Ele estava entrando em contato com o Marcão quando o André me ligou de novo, coisa de 45 minutos depois do primeiro contato:
- Mauro, agradeça ao Marcos por tudo, e pelo vídeo que ele gravaria para o meu irmão, e pela visita que ele faria depois… Mas meu irmão acaba de partir. Não deu uma hora do primeiro contato. Wil morreu, aos 55 anos. André tem 34 anos. Entre eles, duas irmãs. Entre nós, o Palmeiras.  Mais que o Verdão, uma paixão que fez Wil acreditar até quando a bola desconfiava. Wil que nunca quis saber qual era a doença dele. Como ela estava o levando. Ele sempre levou de vencida. De fato, como escreveu o maestro Totó, é um campeão. Um palmeirense que sempre acreditou:
- Cara, vai sair gol.
Não saía tanto nos últimos tempos, Wil. Mas, para ele, não importava. Mais importante era acreditar. Era driblar os problemas. Era torcer. Era ser feliz. Era ter como maior presente a presença no estádio numa decisão. Era ter o maior presente em ver o time treinar na Academia. Era ter o maior presente ganhar um abraço de Evair.  Você que não gosta de futebol, meus sentimentos. Você que conheceu o Wil, meus sentimentos. Você que torce por um time, qualquer time, parabéns. Você é uma pessoa feliz.                                                                                                                       Good Will.

NOS ACHAMOS OU NOS PERDEMOS

Quem se acha se perde. O Brasil às vezes perde por se achar em campo. Felipão achou que dava para encarar de igual a Alemanha. Ainda não se achou depois de perder como jamais perdemos em 100 anos. A Seleção, quase sempre, propõe o jogo. Ataca até quando não tem com quem, como e, por tabela, por quê?Um de nossos erros nos últimos anos não é ter complexo de vira-lata. É arrogância de cachorro grande. De achar que só nós somos, que só nós podemos. Pois é.

Embarcando em qualquer aeroporto do Brasil, talvez tenham “descoberto” um dos motivos para nossa jactância. Para a soberba soberana. Nunca tinha pensado nisso. Mas a tradução para o inglês me ajudou.
Está lá a indicação para o setor do aeroporto onde estão os objetos esquecidos pelos usuários: “Perdidos e achados”. “Lost and found”, em inglês. Achei engraçado adotar a versão em inglês como prioritária. Mas só então saquei e nossa inversão de valores – perdidos, ou esquecidos. 
Para se achar algo é necessário que ele tenha sido perdido. Não se acha algo que não foi perdido. Ou não se acha antes da perda. O mais lógico é a forma em inglês. Lost and found. Primeiro perdido; depois achado. Aqui, não. Primeiro achamos o que foi perdido.
Ou, no futebol, primeiro nos achamos. E, depois, de fato, muitas vezes nos perdemos.Não sei se é uma viagem dentro da viagem. Ou o cansaço de uma madrugada de pouco sono. Mas quem procura acha.

A COPA NÃO É DAS COPAS, É DAS EMOÇÕES

Pequenas coisas podem te emocionar em uma Copa do Mundo. Povos tão diversos, culturas várias, hábitos e crenças próprias, e a unidade humana de queixo erguido no meio disso. Esse laço, que trespassa as diferenças, é inquebrantável para os mais sensíveis. O desolamento do goleiro Akinfeev após a falha no gol sul-coreano dilacerou meu coração. Passei os minutos finais torcendo pela Rússia, pelo afago do destino no jogador. Queria vê-lo inteiro, erguido, aliviado. Pensei no quanto para ele era um sonho defender seu país na competição maior. Ali me senti seu parceiro, camarada, sem guerras frias e Sputniks a nos dividir. Eu era uma espécie de Raskolnikov, personagem célebre de Dostoievski, mordido pela culpa. A culpa humana. Minha compaixão com o sujeito nascido do outro lado do mundo, a solidariedade prevaleceu. O gol de Kerzhakov, admito, me deu paz à alma. Akinfeev, vi você de olhos cerrados no hino nacional. Tô contigo!
Enquanto era executado o hino nigeriano, meus olhos foram ficando marejados. Em meio àquele mar azul celeste e branco, sinal da invasão argentina a Porto Alegre, punhados de homens e mulheres vestidos de verde cantavam a plenos pulmões e agitavam pequenas bandeirinhas. Eu ouvi a alegria daquela imensa minoria de negros de um continente judiado que expressavam seu orgulho. Não entendi nada do que cantavam, mas senti tudo que sentiam. O símbolo daquilo era humano. O momento em que eles estavam na ribalta. Uma população de 175 milhões (estão admirados?) tendo voz. Minha emoção era de felicidade por eles poderem se expressar e ver seus heróis nacionais em campo. A fome, as guerras tribais e religiosas, nada daquilo era páreo em dado instante. Tô com vocês, meus amigos nigerianos!
É inadmissível para um jornalista esportivo dos tempos modernos, que deve conhecer até atletas do Campeonato da Tailândia, eu sei. Mas nunca tinha ouvido falar em Serey Die. No dia do jogo entre Costa do Marfim e Colômbia virei seu irmão de alma de imediato. Seu choro convulsivo no hino marfinense, com soluços, me arrepiou. Somo assim, bobinhos, os humanistas. Nos comovemos com pequenas imagens. Um homem também chora, e o faz quando pensa na sua terra, na sua gente, nas suas dores, na sua condição de ser vivente. As notas da canção pátria foram pesadas para seu coração. Mostrou-se gente como a gente. Não conteve a descarga de tanta emoção. Tô contigo, Serey Die!
Akinfeev, Serey Die e a torcida da Nigéria me emocionaram porque me fizeram, de alguma maneira, colocar em seus lugares. A frustração do goleiro, a comoção do volante e o orgulho de pertencimento da massa africana são sentimentos íntimos para nós, humanos. O local de nascimento é um detalhe perto das expressões que conhecemos e experimentamos no dia a dia aqui, na Rússia, na Costa do Marfim, na Nigéria ou em qualquer outro lugar. Não sei se está é a Copa das Copas, mas tem gerado emoção das emoções em corações sobressaltados. Isso fica até mais que os resultados em campo.