DOCUMENTÁRIO LEVA FUTEBOL DE MESA À ITÁLIA...

Após alguns toques curtos, o jogador olha para o goleiro, ajeita a palheta e avisa para o adversário: “Vai pro gol”. Relembrada com saudosismo por quem viveu intensamente os torneios informais na infância, o futebol de botão é também levado a sério dentro e fora do Brasil. A Itália foi apresentada ao jogo na tela de cinema através do documentário “Vai pro Gol” (Confira o trailer exclusivo para O GLOBO). O filme foi exibido no 30º Milano Internacional Ficts Fest, que reúne produções de esporte feitos para cinema e televisão, em Milão, na Itália.
 
Dirigido de forma independente por Felipe D’Andrea, o documentário traça um panorama da brincadeira encarada também como um esporte. Diretor de filmes comerciais, ele se interessou pelo tema após assistir uma reportagem sobre um dos campeonatos organizados pela Federação Paulista de Futebol de Mesa. Dois anos depois, não tem arrependimento por ter investido seus finais de semanas no “mundo do botão”.
— Imaginava que o jogador seria aquele sujeito que gosta muito de futebol, da mesma faixa etária e classe social — confessa. — Mas não é isso. A única coisa em comum é a paixão pelo futebol e, na maioria dos casos, a incapacidade de jogar futebol. É no botão que ele bota toda a magia.

 
 

Em Milão, Felipe D’Andrea vai apresentar uma versão de 22 minutos do filme. A versão original tem 47 minutos e foi produzida como o objetivo de ser vendida para a televisão.
— Fui bastante para o lado pessoal, tentei entender a relação dos personagens com o futebol de botão e esse fanatismo — explica Felipe, que fala sobre o que encontrou nesta busca. — A primeira foi a paixão pelo futebol. A segunda é a saudade da infância. Isso todos eles têm. Eles gostam de falar da época de criança, que pegavam tampa do relógio e iam jogar na rua.
O cartunista Mauricio de Sousa, o publicitário Washington Olivetto e o músico Wilson Simoninha estão entre os entrevistados. No entanto, a maioria dos personagens do filme são anônimos, como um jogador que, quando menino, acreditava que ser bom no futebol de botão traria seu pai de volta. Hoje, trabalhando como juiz do trabalho, conta que aquele tinha sido o último presente que recebeu antes de seu pai sair de casa.

A brincadeira está morrendo? Os personagens do filme, quase todos com mais de 30 anos, mostra como a brincadeira é cada vez menos popular entre as crianças.
— O botão era brincadeira de rua, mas hoje está morrendo — lamenta Felipe, que se interessou pelo jogo durante as filmagens e que já tem seus próprios jogadores de botão. — As crianças atualmente não têm mais ruas para brincar, não vão mais para a casa dos amigos. Trocaram isso tudo por videogame.

Vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM), Marcelo Lages concorda com a percepção de Felipe D’Andrea de que o jogo é cada vez menos praticado pelos jovens. Ele crê, no entanto, no fascínio que os botões podem exercer nas crianças.


— A garotada prefere jogar videogame do que um futebol de mesa, em que tem que se organizar, conseguir um adversário. No videogame, você aprende um macete e vai fazer o mesmo gol umas 50 vezes. No futebol de mesa, pode fazer dali uma vez, mas o adversário vai perceber e marcar. Quando você consegue mostrar isso para a garota, elas se encantam — garante.
Além de comprar um time de botões, quem quiser levar mais a sério o futebol de botão pode procurar informações junto à Federação de Futebol de Mesa do Estado do Rio de Janeiro ou em algum link ao lado.




NATAL DE GALALITE - CRÔNICA FICTÍCIA...

Eduardo é um homem sério, como se dizia antigamente. Na verdade, apesar de viver cercado - e consumido - por toda sorte de aparatos da mais moderna tecnologia, ele é um homem de antigamente. O carrão importado e o loft modernoso no bairro mais badalado da cidade são apenas despistes. No fundo, o sujeito hiperconectado que deseja feliz Natal para os amigos através de um post no Facebook e para a mãe através de algo que ele considera muito mais próximo e carinhoso, um SMS, não passa de um solitário antiquado. Entre suas crenças mais arraigadas está a de que ganhar dinheiro não combina com diversão. Eduardo ganhou muito dinheiro em seus 50 anos de vida. E se divertiu quase nada.
Eduardo não gosta de futebol. Já gostou. Muito, garante sua mãe. Ele não lembra mais. Deve ter sido antes de começar a ganhar dinheiro e, portanto, antes de começar a viver de verdade. Quando perguntam pelo seu time de coração, até fala: o Corinthians. Mas naquela histórica manhã de domingo em que o bando de loucos conquistou o mundo, ele estava num avião - classe executiva, claro - voando para uma reunião em Nova York. Pelo Twitter, ficou sabendo da façanha. Não esboçou reação. A reunião do dia seguinte era muito importante para perder tempo com bobagens. "Bando de loucos", pensou. "É isso mesmo que esses fanáticos são. Como será que a bolsa abrirá amanhã?" A seriedade de Eduardo, na verdade, atende pelo nome de tristeza.
E então chegou o Natal. Aquele dia chato, que atrapalha a reta final do ano, com tantas metas que ainda precisam ser batidas. Outra distração inútil, como o futebol. Normalmente, Eduardo passa a data longe de casa, cada ano com uma namorada diferente, em alguma estação de esqui metida a besta ou em um exótico resort de mergulho.
Este ano, num intervalo entre uma namorada e outra, faltou vontade de viajar. Como a mãe mora em outra cidade, o pai faleceu há muitos anos e os amigos são sofisticados demais para celebrarem a ocasião em solo nacional, ele ficou sozinho no loft. Pouco antes da meia-noite, foi até a adega, escolheu o vinho mais caro e estava apreciando a bela vista da varanda quando notou algo sobre a mesa de centro. Era uma encomenda do correio, que a empregada devia ter largado ali.
Junto com a encomenda, um bilhete de sua mãe, contando que aquele era um presente que seu pai havia deixado com ela pouco antes de morrer, com instruções expressas de que fosse entregue ao filho somente no Natal em que estivesse com 50 anos. Um tanto assustado, Eduardo abriu o pacote. Dentro, encontrou seu time de botão dos tempos de menino, que julgava perdido na poeira dos tempos. Um lindo time de galalite, com os nomes dos jogadores escritos com letra de criança e colados com um durex amarelado. Ao ver aquilo, o executivo sério enxugou uma lágrima, voltou no tempo e pôs-se a jogar com os antigos botões na mesa de vidro da sala. Zé Maria, Ruço, Rivellino, Aladim, estavam todos lá, inclusive o seu favorito: Adãozinho.
Na manhã do dia seguinte, Eduardo voltou a ser um homem sério. Mas começou a ler o jornal pelo caderno de esportes.

(EM 22/05/2013)

O TEMPO QUE O TOSTÃO VALIA MAIS DO QUE PELÉ...

Para mim não havia dúvida, era fato incontestável: Tostão era melhor do que Pelé. Até que Pelé tinha seu valor: fazia jogadas insinuantes, penetrava com facilidade nas defesas e perto da área ou dentro dela era quase infalível. Mas Tostão era maior do que ele, pelo menos no meu time de futebol de botão. Pelé era uma "vidrilha", isto é, uma tampa transparente de relógio de pulso transformada em goleador. Por ser transparente, ficava bonito ver a cabecinha de Pelé recortada do jornal e devidamente colada no "meu" jogador. Tostão, por sua vez, era um botão de galalite brilhante, amarelo. À época eu nem pensava como se fazia o galalite, mas pesquisando descobri que o precioso material é um derivado, vejam só, do leite. São necessários de 15 a 85 galões de leite para fazer um miserável quilo de galalite. É claro que isso me faz lembrar a antológica frase de Gentil Cardoso tentando convencer seus jogadores a praticarem o jogo rasteiro: “A bola é de couro, o couro vem da vaca, a vaca gosta de grama, então joga rasteiro, meu filho”. Com o devido respeito, o galalite vem do leite, o leite vem da vaca... e não há jogo mais "rasteiro" do que o futebol de botão: a bola só alça voo, normalmente, nos chutes, de resto os passes são colados à "grama". O que eu já sabia, entretanto, é que os meus sonhos eram feitos daquele material. Aos sete anos eu admitia ser um perna-de-pau inapelável. Para compensar tornei-me um jogador de futebol de botão. Com aquele time eu podia entrar dentro de campo, passar, driblar, chutar e, sobretudo, marcar gols, muitos gols. Por isso, para mim, Tostão era maior do que Pelé. Tostão era largo e alto e a sua especialidade, que o tornava temível entre os meus adversários, era chutar muito bem logo após a linha do meio de campo. Era desesperador e humilhante para os outros meninos sofrerem gols desse jeito. Imitando a vida real mais ainda, um amigo até me fez uma proposta por Tostão. O valor que oferecia era dez vezes mais do que a quantia que eu desembolsara na papelaria. De nada adiantou eu tentar lhe dizer (mesmo que eu também não acreditasse nisso), que Tostão era apenas um botão e que ele poderia comprar outro igual. Claro que sabíamos que os botões eram fabricados industrialmente, mas nenhum botão era igual ao outro. Disse ao meu amigo que não levaria vantagem sobre ele vendendo o Tostão por tanto dinheiro. Mas a verdade é que naquela época eu não venderia o "meu Tostão" por dinheiro algum.
O sobrado de classe média onde eu morava era palco de um drama cotidiano. Na nossa infância às ruas de Higienópolis (bairro do Rio de Janeiro) já não permitiam a sua transformação em campo de futebol improvisado. No sobrado não tinha playground, mas em frente havia um portão que dava a um campinho. É claro que nós queríamos utilizá-lo como palco de épicas peladas. E utilizávamos enquanto os maiores não jogavam. E, quando os maiores chegavam, o que nos restava era o futebol de botão. Se não podíamos jogar com os pés, jogávamos com as mãos e a imaginação. Ele tinha a capacidade de nos transportar para muito além de Higienópolis. Fazíamos copas do mundo, cada um representando uma ou mais seleções, campeonatos cariocas, brasileiros e até campeonato inglês nós fizemos. Lembro um campeonato jogado em três mesas, a maior era o Maracanã, a de tamanho médio era São Januário e a menor representava o estádio de um time pequeno.
À época, nós nem queríamos saber de onde tinha vindo o futebol de botão. Nem podíamos imaginar que ele tivesse sido criado na década de 30 e que em 1977 ele viesse a ser reconhecido oficialmente pelo Conselho Nacional de Desportos (CND) como uma modalidade esportiva. Mas sabíamos que a geração anterior à nossa jogara com botões diferentes, improvisados, muitos feitos de casca de coco. Na verdade, em cada lugar se jogava de um jeito. No nosso pequeno mundo da Rua Pacheco Jordão, a bola era quadrada. Isso mesmo: jogávamos com um dadinho que comprávamos na papelaria. Em outros lugares usavam-se discos de plástico ou bolinhas de feltro. Tínhamos a liberdade de criar nossas próprias regras: tempo de jogo, fórmulas de campeonato (pontos corridos, eliminatórias etc.), métodos de desempate (prorrogação, disputa de pênaltis). Nossos atletas eram mimados, cuidadosamente guardados em caixas de papelão ou latas de Neston ou Nescau, limpos com flanelas e tratados com carinho. Nossos "gramados" eram cobertos com uma fina camada de talco ou limpos com lustra-móveis para os botões deslizarem melhor. Éramos técnicos, jogadores, cartolas e juízes, tudo ao mesmo tempo.
Depois meu filho nasceu, faço questão que ele tenha a oportunidade de jogar futebol de verdade. Mas não deixo de lhe ensinar a jogar futebol de botão. Na verdade, eu me tornei um "profissional" bem antes dele nascer e meu sonho é nós dois jogarmos juntos um campeonato de futebol de mesa com a camisa do mesmo clube...
Sim, o meu futebol de botão é agora pomposamente chamado de futebol de mesa por ter regras oficiais, campeonato, federação e o escambau. É completamente diferente. A mesa é enorme, tem quase dois metros de comprimento (c. 1,85 m) por um metro e vinte centímetros de largura. A regra mais difundida, pela qual eu jogo, permite no máximo nove toques no Dadinho de acrílico, quadradíssimo, sendo que cada botão só pode dar três toques na bola. Os botões são dediversos tipos de material e são bem maiores do que eram meus craques de infância. E não são feitos mais, em sua maioria de galalite e sim de acrílico, paladon ou madre-pérola.
Os atletas do futebol de mesa treinam duas vezes por semana pelo menos. Cada clube tem o seu CT (Centro de Treinamento) onde os mais aplicados passam horas e horas jogando uns contra os outros de olho nas competições. Sem falar nos fominhas que compram uma mesa e ficam em casa treinando chutes feito Zico fazia. Para participar dos campeonatos existem até competições seletivas, uma espécie de segunda divisão, onde eu tive que jogar até conseguir "subir" para a primeirona.
Quando eu comecei a competir, tive primeiramente que comprar um time. Comprei um time amarelo. Não colei as "cabecinhas" dos jogadores, mas coloquei adesivos com escudo, nomes e números, homenagendo o bairro onde moro e meus vizinhos conhecidos. Meu vizinho e amigo Beto começou a jogar mais do que todo mundo. Sim, porque embora seja você a mover a palheta, a crença mágica é que o botão é que está jogando. Há botões que jogam muito e outros que são irremediáveis pernas-de-pau. Ou estão apenas atravessando uma má fase...
Há campeonatos cariocas, brasileiro e, pasmém, em junho de 2012, ocorreu em Copacabana, no Rio de Janeiro, a II Copa do Mundo de Futebol de Mesa da modalidade doze toques. O Brasil sagrou-se bicampeão mundial, nada mais justo. Afinal, se o football association foi criado na Inglaterra, este futebol movido a sonho só podia ter sido inventado em terras tupiniquins.
 
(Em 15/05/2013)

APRENDENDO A SER CAMPEÃO!


Começamos a fase dos grandes torneios e opens do botonismo em todo o território nacional. As ligas e clubes estão agitados no cumprimento de seus calendários buscando os melhores de todas as categorias de 2013. Haja flanelinha para lustrar tantos botões...
Cada um se prepara como pode. Alguns treinam de vez em quando conforme podem, enquanto outros fazem um esforço ainda maior, treinando de duas a três horas por dia, buscando um desempenho de excelência para os duelos do futmesa que muitas vezes, lembram as lutas dos grandes gladiadores. E por falar nisto, você já viu uma partida de futebol de mesa entre dois campeões valendo o caneco? Se não viu, quando você tiver o privilégio de ver vai entender o que eu quero dizer. E se já viu, sabe bem como tudo acontece quando as cortinas se abrem para o espetáculo.
Sei que todos os esportes são levados a sério. Mas no futebol de mesa é incrível os níveis das disputas. Como é tratado com seriedade um torneio. E pensar que tudo começou como uma brincadeira inocente de criança... É difícil até piscar quando os jogos se tornam eletrizantes e a disputa é apertada. Existem jogos que são decididos em favor de quem erra menos, tamanho o aprimoramento das técnicas sobre o tablado verde.
Sabemos que não são todos que se tornam campeões. Porém, acredito que a grande maioria deseja ser vencedor naquilo que se esmera em fazer bem.
Certamente que existem muitos campeões em muitas coisas boas neste mundo e que nunca foram reconhecidos, infelizmente. São os campeões anônimos espalhados pelos becos e ruas das cidades.
No caso do futebol de mesa, a coisa aperta sobremodo quando se joga um torneio, ainda que entre velhos amigos. De um lado alguém que joga o simples e velho botão pelo prazer. Do outro lado da mesa alguém que tem a fama de ser matador, e que joga palhetando olhando para o troféu em disputa.
É muito provável que a tensão invadirá o coração do botonista que se julga inferior e com menos gabarito para vencer um talentoso campeão. Em geral, é possível ver esportistas que entram para os duelos já derrotados. O medo pode ser um adversário bem pior do que o botonista que está do outro lado da mesa.
Já ouvi relatos de botonistas que chegaram ao cúmulo de enxergar os botões do adversário maiores, melhores, ou com a “nítida” impressão de se tratar de um material invencível. Nada disso! Isto tudo não passa de efeitos colaterais de gente insegura, e que em competições de níveis elevados, acabam se manifestando de tal forma que não permite que um botonista desempenhe bem o seu jogo. O medo cega e faz com que um competidor se retraia, enterrando seu talento e gerando um outro sintoma: Acuamento. Bem, não existe uma fábrica de campeões. Nunca vi uma academia especializada em formar vencedores, embora alguns insistam nisto. Creio que é possível sim, desenvolver talentos e aprimorar técnicas. E isto pode acontecer com qualquer um que realmente queira pagar os preços dos exaustivos treinamentos. Conheci muitas pessoas durante minha vida. Estou o tempo todo tratando com pessoas e conhecendo seus corações. Percebo que existem pessoas que, por algum motivo, são mais determinadas que outras. Em uma partida de futebol de mesa, valendo algum reconhecimento importante do meio, é possível perceber aqueles que são mais determinados e aqueles que jogam a toalha da desistência sem oferecer o mínimo de resistência. É claro que os treinamentos fazem a diferença. Treinos e decisão de superação é dupla explosiva para o sucesso.
Estou convicto de que existem pessoas que tem algo mais dentro de si. Talvez, quem sabe, foi a criação dentro do lar que lhes proporcionou um espírito vencedor. Pais que foram modelos quanto a perseverança. As grandes lutas da vida podem ter contribuído em muito para que o gatilho da determinação fosse acionando dentro de uma determinada pessoa. Outras pessoas, no entanto, parecem mais frágeis e não tão determinadas. Desistem com facilidade e fogem aos confrontos que são inevitáveis, dentro e fora de jogo. No futebol de mesa é possível lidar com essas fragilidades que são típicas do ser humano.
Penso que as escolhas e as decisões sempre são nossas. Por algum motivo recebemos em nosso ser a capacidade de decidirmos como queremos ser. Já o controle quanto ao que seremos pode não estar totalmente em nossas mãos. Já vi gente “pequena” no futebol de mesa enfrentando de igual para igual gente mais capacitada. Como pode? Pode, porque esta pessoa “pequena” decidiu ser grande, e jogar como gente grande. Mas também já vi gente “grande” agir como gente absolutamente incapaz, neutra.
Quando entramos em campo com nossos botões pra lá de incrementados, decidamos ser competidores determinados. E se estiver levando de goleada, não desista! E sabe por quê? Bem, como já disse, existem muitos campeões que nunca foram reconhecidos. Campeões sem medalhas ou sem troféus. Isto não importa botonista! Só o fato de você enfrentar feras que você considera melhores do que você, e mesmo assim, lutar de igual pra igual, faz de você um grande campeão. Ser honesto, respeitoso para com o adversário e competir com garra, já mostram que você tem aquele algo mais dentro de você. Você verá que os seus oponentes terão que te respeitar por causa da sua determinação. O resultado de uma partida pode não passar de um simples detalhe, entende?
Quanto a medalha... bem... Penso que ela já está em seu coração. Por isso não a despreze. Mesmo que só você a veja.

(Em 08/05/2013)

O ESPETACULAR FUTEBOL DE MESA!


Praticar algum tipo de esporte é fundamental para a saúde do corpo humano e da mente. Ignorar essa tônica da vida é diminuir o tempo da própria existência. A ciência tratou de atestar que o corpo humano é composto por 70% de água. E o que acontece com a água parada? Ela simplesmente se estraga. Qualquer um que praticar algum tipo de esporte receberá como retorno, saúde física, mental, e também a emocional. O antigo futebol de botão como era chamado, agora classificado como futebol de mesa, e que se tornou esporte reconhecido pelo antigo CND em 1988 (Conselho Nacional de Desporto), não é diferente quanto aos benefícios para a saúde como esporte. Portanto, quem pratica futebol de mesa é um legítimo atleta, e atleta precisa de muito preparo se quiser ser um grande campeão.
Talvez antes de vencer alguns adversários de goleada na regra que você mais se adapta, seja necessário primeiro, vencer a si mesmo em alguns aspectos. Vencer os próprios medos, por exemplo, já que o futebol de mesa, apesar das equipes e dos clubes, na hora do jogo é atleta contra atleta. Ali, envolta do “gramado” rígido pontilhado por botões multicoloridos, as habilidades se enfrentam, e as capacidades pessoais são testadas ao máximo. No futebol de mesa o cérebro é constantemente acionado na elaboração de jogadas e nas projeções dos contra-ataques. Um pequeno descuido, e o adversário poderá chegar na cara do gol e balançar as redes. Além disso, o tempo precisa estar sendo monitorado com a própria mente durante uma partida, já que em competições oficiais os atletas são privados de acompanhar o tempo das partidas através dos cronômetros. Bem, se por um lado o cérebro é exercitado e bastante exigido, por outro lado o futebol de mesa proporciona uma higiene mental que lhe é peculiar, já que durante uma partida oficial, ou,
por pura diversão, não é possível pensar em outra coisa.
Eu diria que pescar é muito bom, mas jogar futebol de mesa é simplesmente delicioso, e não tem o inconveniente dos pernilongos e nem das mãos cheirando a peixe. Mas fique tranqüilo, pois também gosto de pescar de vez em quando. Um bom chute a gol não pode ser concluído com êxito sem as seguintes exigências: capricho, atenção, concentração, visão, e claro, um espírito vitorioso que é indispensável para qualquer atleta. Acreditar sempre que a cada chute a gol a bola repousará suavemente dentro do gol, levando o praticante a uma explosão de satisfação. Alias quanto custaria esta sensação? Durante uma partida de futebol de mesa quem joga sabe: é preciso ter equilíbrio nas emoções. Elas serão confrontadas em várias oportunidades durante um campeonato ou mesmo durante uma simples partida. Mesmo porque, ninguém fica satisfeito com as derrotas, apesar de aprendermos com elas. Esse equilíbrio se aplica em pelo menos dois momentos: 1 – Quando se está ganhando uma partida com boa margem de vantagem e tiver que continuar concentrado sem menosprezar o adversário. 2 – Quando se está perdendo a partida, o tempo correndo, sendo necessário arrancar lá do fundo da alma, a dose certa de determinação para buscar o empate, e quem sabe, virar o placar no último lance. Faz parte do nosso esporte perder de goleada, às vezes. Mas quantos estão preparados para isto? A tendência é desanimar e perder o interesse pela partida. No entanto, atletas honrados e que realmente jogam com paixão nunca desistem. E se este princípio pode ser aplicado ao futebol de mesa, por que não ser assim também no dia a dia da vida de cada botonista? Para nós botonistas, existem pelo menos dois tipos de adversários que precisam ser vencidos. Um deles estará sempre sobre as mesas das competições do outro lado do campo. E a vitória terá um sabor todo especial, quando ela for construída com lances de pura genialidade. E outros adversários não menos importantes, que estão lá fora na selva da vida, tentando desestabilizar-nos como pessoas, e procurando ferir aqueles a quem mais amamos. Refiro-me aos infortúnios da vida. Ali também precisamos ser campeões dando o nosso melhor. Quando as coisas apertarem, será preciso ter a garra de um botonista campeão para virar o jogo da vida.
Outro benefício importante do futebol de mesa para a saúde está na quantidade de voltas que um atleta (técnico) dá entorno da mesa durante uma partida. Alguém aí já contabilizou quantos passos são dados durante um jogo? Mas não é somente isto! Um técnico precisa se abaixar várias vezes para pegar a bolinha durante uma partida, e também durante os treinos. Isto sem contar as inúmeras jogadas cujo atleta precisa se esticar todo sobre o tablado verde para concluir uma jogada difícil. São muitos os abdominais discretos que um botonista é forçado a fazer durante o jogo. Dezenas de alongamentos sem perceber. São os contorcionistas do futebol de mesa sendo exigidos ao máximo e contribuindo para o espetáculo ser ainda melhor.
O futebol de mesa além de delicioso como disse, quando praticado com alegria promove a amizade; o companheirismo; o espírito de equipe; e a honra de poder representar um clube. Neste quesito agrega-se ainda, o apoio que cada atleta deve dar para seus companheiros de escuderia.
Limpar bem os botões e lustrá-los nos lembra da limpeza e lisura que precisamos ter quanto ao caráter. Que os nossos botões estejam tão limpos quanto nosso comportamento, dentro e fora de jogo.
Pratique futebol de mesa. Quer seja como atleta profissional ou simplesmente para se divertir, será sempre muito gratificante. Para finalizar essa matéria, quero lembrar-lhes que aqueles que amam jogar futebol de mesa, estão mantendo viva, quem sabe, aquela que foi a melhor de todas as fases da vida.

(Em 05/05/2013)

A ARTE DE JOGAR FUTEBOL DE BOTÃO!


Os meninos que viveram o auge da infância na década de 90 ainda tiveram a oportunidade de jogar o bom e velho futebol de botão, hoje desconhecido para a geração digital. Por sua simplicidade, a disputa atraía a atenção de muitos e também se tornava emocionante, na medida em que só a vitória interessava. Com chuva ou sol, a brincadeira podia acontecer em qualquer lugar, desde que houvesse um companheiro disposto a medir forças e mostrar sua habilidade.
As equipes de botões vinham com adesivos autocolantes dos principais times do Brasil e do exterior, além de inúmeras seleções nacionais. Os mesmos podiam ser adquiridos em livrarias, a um preço baixo, fato pelo qual se tornaram bastante populares. Para a partida ser realizada, utilizava-se um tabuleiro, com as mesmas divisões de um campo de futebol de verdade, colocado em cima de uma mesa ou até mesmo no chão.
Os jogadores eram conduzidos por uma palheta, na tentativa de acertar a bola, formada por um disco minúsculo, geralmente de cor preta. Cada um poderia efetuar, no máximo, três toques e em caso de erro, a posse de bola seria do outro time. Isso deixava o jogo rápido e aberto. Jogadas ríspidas geralmente aconteciam, pois seguidamente atingia-se em cheio o oponente, em vez do alvo. A falta mais comum ocorria quando a bola parava em cima do escudo da equipe, sendo considerado toque de mão.
Não havia tempo estipulado para a duração de cada confronto. Geralmente eles acabavam quando alguém estava levando uma goleada e desta forma desistia, ou então reclamava da “arbitragem”, dizendo que o adversário roubava. No calor do jogo, muitas discussões aconteciam, pois cada um defendia ferrenhamente seus interesses, porém nada que não fosse resolvido no dia seguinte.
O futebol de botão é uma das muitas recordações dos tempos de outrora. Comecei a me interessar por ele quando ganhei Brasil e Estados Unidos, justamente na época da Copa do Mundo de 1994. Nos anos seguintes cheguei a ter mais de 20 equipes, entre clubes nacionais, estrangeiros e seleções; e a coleção só não foi maior porque aqui em São Luiz Gonzaga tinham poucas opções para a compra.
É com nostalgia que lembro as muitas tardes dedicadas exclusivamente a essas disputas, que envolviam principalmente os amigos da vizinhança. Infância como a daquele tempo dificilmente vai existir, pois cada vez mais cedo a tecnologia está presente no dia a dia das crianças, fazendo com que elas deixem para trás hábitos e brincadeiras saudáveis.
Enfim, recordar é viver! Quem nunca jogou futebol de botão não sabe o que perdeu!

(Em 04/05/2013)