HISTÓRIA DO FUTEBOL DE BOTÃO E SUAS MODALIDADES


O Futebol de Botão é um jogo simulado de futebol praticado com botões apropriados, que, de certa forma, representam os jogadores e são movidos com o auxílio de uma palheta; é praticado como um "passatempo" e como esporte oficialmente reconhecido sendo, nesta última condição, denominado "Futebol de Mesa".
O futebol de botões foi inventado em 1930 pelo brasileiro Geraldo Cardoso Décourt, que, primeiro jogava com botões de de madeira, passando posteriormente a usar os botões de plastico. Dessa brincadeira de criança surgiu o "jogo de botões", aquilo que se tornaria o esporte difundido e praticado como modalidade esportiva, apresentando uma diversidade de regras e materiais, tendo adeptos em um grande número de países.O dia do nascimento de Geraldo Décourt em 14 de fevereiro, foi oficializado pelo governador Geraldo Alckmin, em São Paulo, no ano de 2001, como o "dia do botonista".
Décourt foi um incansável divulgador e organizador de eventos de futebol de mesa, o que propiciou o desenvolvimento do esporte, assim como sua popularização.
Paralelamente a esse incremento de regras e desenvolvimento de materiais cada vez mais adequados à execução do jogo, em diversas regiões do Brasil, mormente nas décadas de 1930 a 1980, várias modalidades eram praticadas, usando-se diversos tipos de botões e superfícies onde os mesmos deslizavam, desde o piso das casas, mesas de jantar, até o famoso "Estrelão", mesa de jogo sem cavaletes, produzida pela fábrica Estrela, durante os anos 1970. Crianças jogam futebol de botão.
Muito famosos ficaram os "botões de osso" ou de "paletó”, que nada mais eram que os botões retirados dos antigos ternos sociais; dentre esses, uma classe de botões conhecida como "Paulo Caminha", marcou época; depois vieram as "capas de relógios", que nada mais eram que os "vidros' substituídos dos relógios que iam para conserto e tinham os "vidros' trocados; finalmente, na década de 1950, surgiram os botões industrializados, de plástico, com adesivos colados ao centro, contendo os escudos ou mesmo as faces dos jogadores dos times famosos do Brasil.
Um dos modelos de traves dos anos de 1970, além de goleiro feito utilizando-se uma caixa de fósforos, comum para a época.
"Capas de relógios" utilizadas como botões, também dos anos de 1970; tratava-se de um "vidro" mais envelhecido, que era disputado pelos garotos da época, nos relojoeiros.
Os botões de acrílico já eram utilizados, entretanto, em uma proporção bem menor em relação aos dias de hoje, quando são predominantes.
Os botões industrializados começaram com os famosos canoinhas, que eram botões rebaixados no meio, com o rosto do jogador ao centro, normalmente com imagem em preto e branco; existiram até alguns coloridos. Algumas fábricas os fizeram, Estrela, Trol e outras. Os "Bolagol"
Eram botões fabricados pela "Plásticos Santa Marina" tendo de início o nome "Futebol Miniatura"; vinham em caixas de time simples ou em caixas de times duplos, as caixas eram assim:
Caixa dupla com o nome antigo de "Futebol Miniatura"
Caixa "BOLAGOL" simples, já com o nome Bolagol
Os fabricantes de botões "BOLAGOL" primaram em fazer uma das maiores coleções de times do Brasil e estrangeiros de que se tem notícia, ninguém fabricou tamanha diversificação de times de tantos estados brasileiros; a coleção é composta por aproximadamente 130 equipes entre brasileiras, seleções e estrangeiras.Coleção "Onze de Ouro".
A "coleção onze de ouro" foi feita em homenagem às seleções brasileiras de 1958 e 1962 equipes campeãs mundiais, e os times que possuíam jogadores nestas seleções e que tinham maior destaque à época no Brasil, que eram os paulistas; Palmeiras, Santos, Portuguesa, São Paulo e Corinthians; e os cariocas; Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo.
Esta coleção teve duas etapas, a primeira em  1964 e a segunda em 1965; eram botões vendidos em bancas de jornal, em pacotinhos com um botão dentro e para se conseguir as palhetas (apertadeiras e outros nomes dependendo do estado), goleiros e as traves (goleiras no sul) era preciso trocar "jogadores chaves" pelos mesmos. A coleção até hoje é procurada pelos colecionadores sedentos por possuir os grandes jogadores de uma época de ouro de nosso futebol
A Estrela lançou, já na década de 1970, um novo botão, mais alto, porem mais barato e de menor qualidade que o famoso "canoinha", eram eles "o estrela chutador".
A "Estrela" lançou também, após a série com os fotos dos jogadores, uma série com escudos dos clubes de futebol do Brasil.O botão de "Banca de Jornal".
Quase que concomitante ao lançamento dos botões Onze de Ouro, a febre do jogo de botão invadiu o Brasil e foram lançadas algumas séries denominadas "Craques da Pelota", onde existiam os "patente requerida" e "marca registrada", brincadeira derivada do fato de vir escrito atrás da chapinha que prendia o rosto do jogador, estas palavras.
Também criaram a série "Ídolos do Futebol" que além de ser vendida em bancas de jornal, era encontrada também nos grandes magazines.
O último modelo que saiu com o rosto dos jogadores de futebol era a série Gulliver, que veio com algumas variações, dentre elas um botão chamado "cristal". Estes dois últimos modelos são vendidos ainda hoje em grandes magazines, porém, apenas com os distintivos de grandes clubes de futebol e seleções.

Reconhecimento Oficial
Através da Resolução N.º 14, de 29 de setembro de 1988, acatando ao Of. N.º 542/88 e ao Processo N.º 23005.000885/87-18, baseado na Lei N.º 6.251, de 8 de outubro de 1975 e no Decreto N.º 80.228, de 25 de agosto de 1977, assinada pelo seu então Conselheiro-Presidente Manoel José Gomes Tubino, o CND (Conselho Nacional de Desportos) reconhece o Futebol de Mesa como modalidade desportiva praticada no Brasil, como uma vertente dos esportes de salão, no qual se incluem o xadrez e o bilhar, por exemplo. O Futebol de Mesa é praticado oficialmente em cinco modalidades; quatro oficiais (Disco, Bola 12 Toques, Bola 3 Toques e Dadinho) e uma experimental (Pastilha).
A CBFM (Confederação Brasileira de Futebol de Mesa) regula e orienta a prática desse esporte no Brasil. Uma das principais lutas dos praticantes é fazer com que o esporte seja conhecido pelos leigos como Futebol de Mesa e não como Jogo de Botão, pois essa associação faz com que o esporte esteja ligado à prática de um jogo infantil o que dificulta seu reconhecimento público como esporte e, consequentemente, seu desenvolvimento.
Após o reconhecimento institucional do Futebol de Mesa como esporte, as modalidades passaram por um crescimento estrutural e conceitual sem precedentes. As federações estaduais foram organizando-se e ganhando "status" semi-profissional e atualmente, existe uma interligação estrutural entre os eventos promovidos pelas federações estaduais. O Futebol de Mesa (também chamado de Futmesa), desenvolve campeonatos estaduais individuais e por equipes. Os grandes clubes de futebol também têm equipes participando, como Corinthians, Nacional, Palmeiras, Rio Branco e Santos em São Paulo e America, Bangu, Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama e Friburguense no Rio de Janeiro.

Modalidade Bola 12 Toques
Vulgarmente conhecida como "Regra Paulista". Cada partida tem a duração de 20 (vinte) minutos e é disputada em 2 (duas) fases de 10 (dez) minutos, com intervalo máximo de 5 (cinco) minutos entre a primeira e segunda fases. Estando um jogador com a posse de bola, este terá direito a um limite coletivo de 12 (doze) toques, sendo que se até o 12º toque não houver chute a gol, será punido com tiro livre indireto cobrado do local onde a bola estiver estacionada. Cada botão, obedecido o limite coletivo de 12 (doze) toques, terá direito a 3 (três) toques ou acionamentos consecutivos. Se ocorrer um quarto acionamento consecutivo, será punido com tiro livre indireto cobrado onde ocorreu o toque excedente.
O Campeonato Brasileiro Individual da modalidade Bola 12 Toques é disputado desde o final do anos de 1980 e dele participam os melhores botonistas da modalidade de cada Estado do Brasil, que classificam-se para o evento mediante um sistema de "cotas" distribuídas pela Confederação Brasileira de Futebol de Mesa às federações estaduais.
O Campeonato Brasileiro de Clubes da modalidade Bola 12 Toques é disputado desde de 2007. Atualmente participam clubes dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Alagoas, Piauí, Goiás e Rio Grande do Sul. Nas três primeiras vezes que foi disputado (2007, 2008 e 2009) a Sociedade Esportiva Palmeiras sagrou-se campeã. Em 2010, o título ficou com o Sport Club Corinthians Paulista, em 2011, a equipe campeã foi a do IVN do Paraná e em 2012 voltou a vencer esta competição.
O Campeonato Brasileiro Máster de Clubes teve como campeão seu primeiro campeão, no ano de 2011, o Maria Zélia (SP) e, em sua segunda edição, no ano de 2012, o campeão foi o Club de Regatas Vasco da Gama (RJ).
Em 2009 foi realizado na cidade de Budapeste (Hungria) o primeiro Campeonato Mundial da modalidade Bola 12 Toques, sendo o Brasil campeão por equipes com a seguinte formação: Mauro Michilin (Palmeiras), Toninho (Palmeiras), Tadeu Sanchis (Corinthians), Marcelo Lages (Vasco), Carlos Renato (Vasco) e Harutiun Muradian (Maria Zélia) - o técnico foi De Franco (Palmeiras). O atleta Marcos Paulo Liparini Zuccato, mais conhecido como Quinho (Palmeiras), foi o Campeão Mundial Individual.
Em 2012 foi realizado na cidade do Rio de Janeiro (Brasil) o segundo Campeonato Mundial da modalidade Bola 12 Toques, sendo o Brasil novamente campeão por equipes com a seguinte formação: Marcos Paulo Zuccato (Quinho) (Palmeiras), Tadeu Sanchis (Corinthians), Jefferson Genta (Maria Zélia), Paulo Audician (Farinha) (Círculo Militar), Roberto Rodrigues (Clube Curitibano), Victor Heremann (IVN Londrina), Lucas Assumpção (America) e Rhaniery Jardim (Vasco da Gama) - a comissão técnicá foi composta por De Franco (Cisplatina) e Marcelo Lages (Vasco da Gama). O atleta Rogério Nascimento (Clube Curitibano), foi o Campeão Mundial Individual.
Em 2012 foi realizado na cidade de Rosário (Argentina) o primeiro Campeonato Sul-Americano da modalidade Bola 12 Toques, sendo o Brasil pela primeira vez campeão por equipes com a seguinte formação: Fábio Borges (América-RJ), Igor Monteiro (Vasco da Gama) e Marcelo Lages (Vasco da Gama). A equipe do Vasco da Gama foi o representante brasileiro na competição por clubes e se tornou o primeiro clube campeão sul-americano de bola 12 toques, com a seguinte formação: Alexandre Gomes, Igor Monteiro, José Antônio e Marcelo Lages. Na categoria individual, o brasileiro Fábio Borges (América-RJ) se tornou campeão ao derrotar o também brasileiro Igor Monteiro (Vasco da Gama) na final.

Modalidade Bola 3 Toques
Vulgarmente conhecida como "Regra Carioca". É disputada principalmente nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goias, São Paulo, Pernambuco, Amazonas e no Distrito Federal. É considerada a mais dificil para adaptação e aprendizado, por conter basicamente todas as regras do futebol de campo, como impedimento, sobrepasso, tiro livre, o tempo de duração é de 50 minutos, sendo dois tempos de 25 com intervalo de 5 minutos.
O Campeonato Brasileiro Individual da modalidade Bola 3 Toques é disputado desde o início do anos 80, tanto individualmente, como de equipes, o campeonato de equipes foi ao longo dos anos sendo modificado em sua forma de disputa, inicialmente com 2 atletas, no final dos anos 80 passou para 3 atletas, e a partir dos anos 90 foi adotada a formula atual de 4 atletas por equipe.
O atual campeão brasileiro de clubes é a AABB di Distrito Federal. O campeão individual é Paulo Marcos de França do Tupy de Juiz de Fora, na categória senior acima de 38 anos o atual campeão é Vander Felipe do Grêmio Mineiro de Belo Horizonte, e na categória master acima de 45 anos Benjamim Abaliac tambem do Grêmio Mineiro de Belo Horizonte.
Em 2005 foram criadas as Copas do Brasil Individual e de Clubes sendo Vander Felipe(MG) o 1º campeão individual, o atual campeão é Paulo Marcos de França do Tupy de Juiz de Fora (MG).
Na competição de Clubes a Portuguesa (MG) conquistou o 1º titulo em 2005, em seguida a ACFB (RJ) venceu nos anos de 2006 e 2007, em 2008 o Grêmio Mineiro (MG) e em 2009 o Rio Branco de Americana, deu o primeiro titulo nacional para o estado de São Paulo.

Modalidade Disco
Vulgarmente conhecida como "Regra Baiana", possui duas vertentes ("Liso", onde os botões são lisos por baixo, e "Livre", onde os botões são ocos por baixo) e é a modalidade há mais tempo organizada. A primeira Associação dedicada a esta Regra foi fundada em 1959, em Alagoinhas (BA), permanecendo em atividade ininterrupta até os dias de hoje.
A primeira grande competição inter-estadual da modalidade Disco 1 Toque foi o Campeonato Norte-Nordeste (popularmente chamado de "Nordestão") em 1969. No ano seguinte, 1970, foi disputado o primeiro Campeonato Brasileiro Individual da modalidade.
A 37ª edição do evento foi disputada em Porto Alegre (RS) em 2010 e consagrou Alenio Cheble, atleta da Portuguesa (RJ), como o primeiro botonista na história a conquistar o título máximo tanto na vertente "Livre" (foi Campeão em 2000, em Salvador - BA), quanto na vertente "Liso".
Os atuais Campeões Brasileiros de Clubes são a Associação Riograndina de Futebol de Mesa (RS), no "Livre" e a Associação Santamarense de Futebol de Mesa (BA), no "Liso", competição realizada em Vitória (ES).
Também na modalidade Disco 1 Toque é bastante comum a participação de tradicionais clubes de futebol, que possuem departamentos de Futebol de Mesa, tais como Bangu, Portuguesa e Vasco (RJ), Nacional (SP), Bahia (BA) e Grêmio (RS).

Modalidade Dadinho
Foi assinada no dia 10 de dezembro de 2011, na sede da Federação Paulista de Futebol de Mesa, a oficialização da modalidade Dadinho. A modalidade foi aprovada por unanimidade pela Coordenação de Regras Experimentais da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM), pelas 3 regras já oficiais (Bola 12 toques, Bola 3 toques e Disco 1 toque), chancelada pelo presidente da CBFM, Sr. José Jorge Farah Neto, e passou a ser considerada oficial a partir do dia 01/01/2012

Atletas Campeões do Campeonato Brasileiro da modalidade Dadinho:
ANOLOCALCAMPEÃO
2008Bandeira do Distrito Federal (Brasil).svg BrasíliaBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Alexandre Lage (Esporte Clube Maxwell)
2009Bandeira do Paraná.svg CuritibaBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Daniel Marques (AABB-Tijuca)
2010Bandeira de Santa Catarina.svg ItajaíBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Daniel Marques (AABB-Tijuca)
2011Bandeira do Distrito Federal (Brasil).svg BrasíliaBandeira do Paraná.svg Almo de Paula (Clube Curitibano)
2012Bandeira do Paraná.svg CuritibaBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Régis Martins (America Football Club)
Atletas Campeões da Copa do Brasil da modalidade Dadinho:
ANOLOCALCAMPEÃO
2011Bandeira do Paraná.svg CuritibaBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Brayner Wertmuller (Club de Regatas Vasco da Gama)
2012Bandeira de Santa Catarina.svg ItajaíBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Allan Carvalho (Clube de Regatas do Flamengo)
2013Bandeira de Minas Gerais.svg Poços de CaldasBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Victor Praça (America Football Club)
Clubes Campeões Brasileiros da modalidade Dadinho: 22
ANOLOCALCAMPEÃO
2009 Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Rio de JaneiroBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg America Football Club
2010Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Rio de JaneiroBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Esporte Clube Maxwell
2011Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Rio de JaneiroBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg River Futebol Clube
2012Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Rio de JaneiroBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Clube de Regatas do Flamengo
2013Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Rio de JaneiroBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Clube de Regatas do Flamengo

Exterior
O Futebol de Mesa, tal como ele é jogado no Brasil e suas variações, é praticado em diferentes países, entre eles, Argentina, Uruguai, Chile, Espanha, Romênia, Hungria, República Tcheca, Sérvia, Croácia, Suiça, Russia, Ucrânia e Japão.

Modalidade Sectorball
O Sectorball é um esporte praticado notadamente no leste da Europa, com muitos pontos em comum com o Futebol de Mesa praticado no Brasil. Já foram disputados cinco campeonatos mundiais de Sectorball, sendo o último realizado na Hungria no ano de 2009 pela Federação Internacional de Sectorball.
Países Campeões dos Torneios dos quais o Brasil participou:
ANOLOCAL1° COLOCADO2° COLOCADO3° COLOCADO
2007Flag of Hungary.svg HungriaFlag of Hungary.svg HungriaFlag of Romania.svg RomêniaFlag of Serbia.svg Sérvia
2009Flag of Hungary.svg HungriaFlag of Hungary.svg HungriaFlag of Romania.svg RomêniaFlag of Serbia.svg Sérvia
2012Flag of Brazil.svg Rio de JaneiroFlag of Hungary.svg HungriaFlag of Brazil.svg BrasilFlag of Serbia.svg Sérvia

Atletas Campeões Mundiais dos Torneios dos quais o Brasil participou:
ANOLOCAL1° COLOCADO2° COLOCADO3° COLOCADO
2007Flag of Hungary.svg HungriaFlag of Romania.svg Pákai GyörgyFlag of Hungary.svg Seremet SzilárdFlag of Hungary.svg Fülöp Elemér
2009Flag of Hungary.svg HungriaFlag of Hungary.svg Seremet SzilárdFlag of Hungary.svg Fülöp ElemérFlag of Romania.svg István Mártonfi
2012Flag of Brazil.svg Rio de JaneiroFlag of Hungary.svg Szendrey TiborFlag of Romania.svg István MártonfiFlag of Hungary.svg Szatmári Tamás
A Confederação Brasileira de Futebol de Mesa (CBFM) introduziu oficialmente o Sectorball no Brasil em 2010, através da Federação de Futebol de Mesa do Estado do Rio de Janeiro (FEFUMERJ) e a partir de 2011 começou a ser realizado Campeonato Brasileiro de Sectorball.
ANOLOCALINDIVIDUALDUPLASCLUBE
2011Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Rio de JaneiroBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Robson Marfa (CRVG)Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Robson Marfa/Marcelo Lages (CRVG)Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Vasco da Gama
2012Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Rio de JaneiroBandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Marcelo Lages (CRVG)Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Igor Monteiro/Marcelo Lages (CRVG)Bandeira do estado do Rio de Janeiro.svg Vasco da Gama
A coordenação e implantação da modalidade Sectorball no Brasil foi entregue, pela CBFM e FEFUMERJ, a Marcelo Lages, atleta do CR Vasco da Gama, ao nível nacional, e a Marcelo Coutinho, atleta do Bangu AC, ao nível estadual. Como modalidade já oficialmente adotada pela entidade, dentro da CBFM, que participou dos dois últimos Campeonatos Mundiais, o Sectorball possui hoje o mesmo status que as quatro modalidades tradicionais e oficiais brasileiras (Disco 1 Toque, Bola 3 Toques, Bola 12 Toques e Dadinho 9x3).

VIAGENS A COMPETIÇÕES OFICIAIS - COPA INTERIOR EM CABO FRIO

Olá, amigos. Disputei uma etapa extra do Campeonato Estadual - a Copa Interior, em Cabo Frio. Confesso que fui com o objetivo de me divertir, curtir a alegria da viagem, rever alguns amigos e voltar à Cabo Frio, cidade que não visito há 17 anos - a última vez que fui à tal cidade foi no ano de 1996. É certo que fiquei o tempo todo no ginásio, porém matei a saudade dos velhos tempos em que passava férias nas lindas praias da cidade, pescava com meu pai e meus tios.
Joguei bastante descontraído que perdi jogos pela falta de concentração e capricho nos momentos em que eu chutava a gol. E no único em que joguei concentrado, apliquei uma goleada de 4x0 em meu adversário.
Confesso que senti o cansaço da viagem e da noite de sono prejudicada. A idade vai avançando e o corpo começa dar sinais de que já não é mais o mesmo. E percebo que já estou em uma fase em que terei de abrir mão de viagens a algumas cidades, pois já me desgasta e incomoda. O que não tem preço é o reencontro com os amigos de outros clube para colocarmos o papo em dia e resenhar muito... Fora a bagunça no carro.
Espero que seja uma vontade passageira de não viajar mais, pois amo jogar o futebol de mesa seja em qual lugar for e também tenho que incentivar meu pequeno filho a fazer o mesmo. Futebol de Mesa não tem fronteiras.
Voltando ao torneio, confesso que não fui bem tecnicamente e todos os resultados que obtive foram justos. Mas fui tecnicamente melhor do que de costume... Bem diferente dos treinos em meu clube. Fiz 07 gols em 05 jogos, média acima do que faço nos treinos mesmo não tendo feito gol em um dos jogos. E o grupo tinha feras,com bastante experiência e títulos conquistados.

E assim foi mais uma competição disputada, em mais uma viagem para fora da capital do Rio de Janeiro. Mais um torneio - e fora de minha cidade local - para o currículo do Higienópolis Futebol de Mesa.

O PRAZER DE JOGAR UMA COMPETIÇÃO INDIVIDUAL OFICIAL - PARTE II

Olá, caros leitores/seguidores. Confesso que estou em um nível muito péssimo, não conseguindo jogar 1% do que jogava. Mas confesso que, quando me concentro e eu foco em alguns objetivos, consigo jogar mais do que eu jogava antes. Como gosto de futebol de mesa e gosto de fazer novas amizades e gosto de conhecer novos lugares, não me cobrava os desempenhos, pífios e medianos. Mas ultimamente meus desempenhos em treinos ou competições internas têm me incomodado bastante. Lógico que não sou craque a nível de jogadores como meus companheiros de clube André Santos, Márcio Carvalho, Marcos 'Bathera', os Maia, Marco Aurélio, Régis Martins (Flu) , Paulo Renato (Flu), dentre outros. Mas posso chegar ao nível de craques como meus companheiros de clube Hugo Gomes, Márcio Lopes, Elsio Limoeiro, Ricardo Nunes, etc.

Conto com conselhos e dicas de meus companheiros e amigos de clube, que me ajudam de uma forma ou de outra. Tenho que treinar mais em casa, conforme conselhos do amigo Marcos 'Bathera' e que nunca fiz desde minha filiação junto à federação, em 2002. Encontrei as palhetas certas, os times certos e o clube certo para treinar. Agora, vou trabalhar a mente para ter a concentração necessária na hora certa. Não deixarei problemas pessoais ou de trabalho interferir no local de minha mais gostosa diversão e nos campeonatos (internos e oficiais). Farei novas amizades e conhecerei novos lugares, mas com a cabeça focada nos objetivos e a concentração mais afiada.

Vamos a todo vapor, vamos levantar a cabeça e cumprir os objetivos e metas para mostrar meu valor. Se o futebol de mesa é a minha melhor e mais gostosa diversão, por que não levar a sério também? Se eu não me valorizar, quem vai? Vamos mostrar teu verdadeiro valor, Lauria.

Veremos neste dia 22 de junho de 2013, em Cabo Frio como será o desempenho neste início de um novo ciclo nesta carreira de mais de 10 anos de federado. Experiência, disposição e vontade é o que não faltarão. Vamos fazer as mesas tremerem na Região dos Lagos. Cabo Frio que nos aguarde. Dá-lhe Higienópolis, dá-lhe Lauria, dá-lhe River F. C.

O ÚLTIMO TREINO (Por Antonio Maria Della Torre)

Doutor Teixeira, médico excelente sem preconceito de cor ou crença,atendia pobres, ricos e todo doente que lhe viesse com qualquer doença. Amável e muito bom esposo, pai de duas saudáveis crianças, era esse o médico bondoso daquela cidade e toda vizinhança. Não cobrava aos pobres a consulta, recebendo bem a quem a seu consultório viesse: rico ou pobre, analfabeta ou culta, era querido por gente de toda espécie. Certa vez, estando de viagem a família, fica o bom médico só com o seu outro amor: BOTÕES DE JOGO! Uma verdadeira pilha. Treinava e treinava só, mas com ardor. Chutes a gol, toques e passes; jogadas e táticas queria aprimorar. Tinha do botonista muita classe; que bom era vê-lo jogar. Mas a caminho, numa estrada, enquanto o doutor se divertia, levada pela mãe, uma criança desenganada à casa do doutor se dirigia. Chegando à porta da moradia a mulher chamava e batia palmas. Doutor Teixeira, alheio a tudo, os botões polia e aos pequenos discos entregava-se com alma.
 

O bom médico absorto em sua diversão não escutava a mulher que à porta batiaao ponto de ter sangrado a mão! E, lá dentro, o remédio que ele tão bem conhecia. Meia hora depois ainda chamava a mulher aflita, e a criança que de febre queimava, fechando os olhos perdeu a vidadiante da família do médico que regressava. Trazido pela esposa, o doutor a cena via e ao constatar que a criança estava morta, confessou que salvá-la poderia se houvesse há dois minutos batido à porta. Ao saber que a mulher estivera tanto tempo ali na rua o médico caiu em prantos. Chorava... Chorava como se a criança fosse sua... E, a todos, causava espanto. Dirigiu-se à sala de treinamento. Pegando os botões, no lixo com ira os atirou e com triste e firme pensamento Doutor Teixeira NUNCA MAIS JOGOU!

 

O original deste poema me foi entregue pelo autor na década de 90. Não sei se inédito ou já publicado. Talvez tenha sido divulgado em algum boletim, jornal ou revista do Grêmio Recreativo Riachuelo, uma vez que o nome deste clube,frequentado por Della Torre, está anotado no início do poema.
 
(Em 12/06/2013)

O ARMANI DOS BOTÕES

Tem Flamengo amarelo, rosa, da época do Zico. Eram onze da noite quando o artesão, mestre dos botões, Adriano Moutinho entrou em casa, em Jacarepaguá, zona oeste da capital fluminense. Cumprimentou mulher e filhos e correu, apressado, para o escritório - uma saleta de 3 por 3 metros. A parede estava apinhada de medalhas ganhas em competições de futebol de mesa. O armário guardava os troféus dos Campeonatos Estaduais Interclubes (de mesa). E recostada à parede, repousava metade de uma mesa de futebol. É nela que Moutinho testa suas criações.

Aos 50 e tantos anos, Adriano Moutinho é especialista em fabricar times de futebol de botão (ou de mesa, como é chamado por uma dissidência mais ortodoxa). Recebe em média mais de 25 encomendas por mês, que entrega mediante pagamento de alguns reais por time. "Faço as peças. E crio o estilo também", conta. O serviço é sazonal, e costuma se intensificar em épocas de campeonato. "Todo botonista é meticuloso. Gasta o que for preciso para ter um time bonito", relata Moutinho, que chegou a acumular alguns mil reais em meses de vacas gordas. "Tem gente de outros estados que me encomenda estas artes."

Há alguns anos atrás, Moutinho vendia seus times em uma loja, chamada Oficina do Botão, onde expunha seu trabalho. Seu processo de criação funciona da seguinte forma: primeiro, o cliente escolhe um time - que pode ser nacional, como o XV de Piracicaba; ou estrangeiro, como o Manchester United. Em seguida, Moutinho cria o estilo, parecendo com a camisa do time escolhido (seja tradicional ou comemorativa) e faz as peças, em acrílico e/ou madre-pérola.

Em um ano fabricando botão, ele calcula produzir mais de 1.000 times. Seu catálogo conta com os diversos clubes do Brasil e do mundo, como Olympique de Marseille (França), Borussia Dortmund (Alemanha), Fenerbachçe (Turquia), Flamengo, Vasco, Atlético-MG, além das Seleções dos países. Normalmente a clientela pede que a arte se assemelhe ao uniforme do time. Quando cria para consumo próprio (ele tem vários times em casa), Moutinho foge à regra, algumas vezes.

O futebol de mesa foi criado nos idos dos anos 30 pelo campinense Geraldo Décourt, o Charles Miller do esporte, que jogava com os botões das próprias calças. Após a edição do primeiro livro de regras da modalidade, feito pelo próprio Décourt, o futebol de mesa se espalhou pelo Brasil. Hoje, é jogado do Chile ao Japão, passando pela Hungria, onde foi realizado o Mundial de 2009.

Nos primórdios, os botões eram feitos de peças de roupa, casca de coco e tampa de relógio. Na década de 1970, quando a brincadeira se popularizou, as peças passaram a ser produzidas por marcas de brinquedos, em plástico, e já vinham com os símbolos dos clubes. Hoje, botonista que se preza só joga com peça de acrílico (um conjunto de treze peças - dez na linha, duas na reserva e uma no gol - chega a custar 190 reais). A Confederação Brasileira de Futebol de Mesa se encarrega de organizar o calendário anual da modalidade (o Campeonato Brasileiro foi disputado em junho, no Rio de Janeiro). Durante o ano, Moutinho representa Associação Atlética Portuguesa, da Ilha do Governador, no Campeonato Estadual do Rio de Janeiro Interclubes.

Moutinho não trabalha apenas com times que existem. Ele conta já ter feito equipes de bairro e, no começo do ano, para um cliente um escrete com personagens de filmes de terror. Era Hannibal Lecter e Freddy Kruger na zaga, Jason no meio-campo e Chuck no ataque. Frankenstein e Conde Drácula já haviam pendurado as chuteiras naquela época.